terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
O pai na hora do parto
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Tipos de parto
É comum encontrarmos artigos, ou mesmo cursos de preparação para gestantes, focados na questão dos "tipos de parto", que geralmente acabam artificialmente classificados da seguinte forma:
- Parto Normal
- Parto Vaginal
- Parto Natural
- Parto Fórceps
- Parto de Cócoras
- Parto na Água
- Parto Humanizado
- Parto sem Dor
- Parto Leboyer
- Cesariana
Em primeiro lugar, devemos pensar o seguinte: é possível classificar partos antes deles acontecerem?
Em segundo lugar: mesmo que fosse possível, é coerente achar que partos, nascimentos, bebês, mulheres possam ser classificados por tipos? Vamos fazer um balanço da história recente da obstetrícia, para entender porque e como os partos foram classificados.
A separação dos partos por tipos aconteceu em decorrência do nosso sistema obstétrico. Desde que o atendimento passou a ser hospitalar, feito exclusivamente pelos médicos, em macas horizontais, com as mulheres em posição ginecológica, a classificação ficou óbvia: "Parto Normal" ou "Cesariana". Não havia alternativa. Se a mulher não conseguia dar à luz nessas condições padronizadas, ia para a cesárea.
As condições padronizadas sob as quais as mulheres deveriam tentar o "Parto Normal" eram: separação do companheiro ou qualquer acompanhante, salas de pré-parto coletivas sem qualquer privacidade, impossibilidade de livre movimentação, soro com hormônios para acelerar as contrações e portanto encurtar o trabalho de parto, período expulsivo com a mulher deitada de costas, pernas amarradas a suportes, comandos para fazer força, enfermeiras empurrando a barriga da mulher, entre outras situações que variavam de serviço para serviço. Convém lembrar que em muitos hospitais do Brasil essa ainda é a regra, infelizmente, indo contra todas as recomendações da Organização Mundial da Saúde.
Eventualmente o parto ficava difícil e havia a aplicação do fórceps alto (um instrumento que consiste de um par de colheres metálicas), que buscava a cabeça do bebê no canal de parto para puxá-lo para fora. Essas experiências eram traumáticas para a mãe e com freqüência lesavam irreversivelmente o bebê. Era o "Parto Fórceps" ou ainda "Parto a Ferro". Hoje em dia caiu em desuso e os médicos agora usam o "fórceps de alívio", quando o bebê já está mais baixo no canal de parto. Usado com parcimônia seria um excelente recurso para acelerar o período expulsivo em casos de emergêcia ou sofrimento fetal, lembrando que estas são ocorrências extremamente raras em partos de baixo risco. O uso rotineiro é desconselhado, o que vale para qualquer intervenção médica em um processo natural e fisiológico.
A partir da década de 70 o mundo inteiro testemunhou inúmeros movimentos pelo resgate do parto como um evento social, afetivo e familiar. Aqui e ali surgiram obstetras preocupados com o excesso de medicalização e grupos de consumidoras que lutavam por melhores condições para darem à luz seus bebês.
Na França, Leboyer foi um dos expoentes desse movimento e advogou uma forma mais amena de se nascer: pouca luz, silêncio, sem violência, banho do bebê perto da mãe, amamentação precoce. No entanto seu foco era o bebê, não a mulher. Geralmente esta estava deitada de costas, pernas em estribos e o uso da episiotomia era rotina. De qualquer forma, por seu pioneirismo, pela qualidade de nascimento oferecida ao bebê - mais do que pela qualidade de experiência de parto oferecida à mãe - no mundo inteiro esses partos ficaram conhecidos por "Parto Leboyer".
Ainda na França, na cidade de Pithiviers, Michel Odent, entre várias inovações dignas de mérito, começou a usar banheira com água quente para o conforto das parturientes. De lá para cá, o "Parto na Água" tem sido utilizado no mundo inteiro, em banheiras especiais ou improvisadas. Nas maternidades européias as banheiras são oferecidas às parturientes tanto para o alívio das dores do trabalho de parto, como para o parto em si. Estudos científicos comprovam que o uso da água quente no trabalho de parto é um excelente coadjuvante no combate à tensão e à dor. No Brasil pouquíssimas clínicas e médicos oferecem esse conforto às pacientes, infelizmente.
Onde havia liberdade para movimentação das mulheres, o "Parto de Cócoras" ganhou terreno, por ser mais rápido, mais cômodo para a mulher e mais saudável para o bebê, pois não se produzia mais a compressão de importantes vasos sanguíneos, o que acontece com a mulher deitada de costas. No Brasil o Dr. Moysés Paciornik estudou comunidades indígenas e resgatou o parto verticalizado. Criou com seu filho Dr. Cláudio Paciornik uma cadeira para ser usada em hospitais, que permitia várias posições para a mãe, sem comprometer o conforto do médico. Embora não haja necessidade de cadeiras especiais para que a mulher assuma essa posição, muitos profissionais afirmam que não fazem partos de cócoras porque no hospital não existe "a cadeira para parto de cócoras" à disposição.
Desde os anos 80, com a popularização das questões ecológicas, e com os movimentos de resgate de uma vida mais saudável, natural e espiritualizada, muitas mulheres passaram a optar pelo "Parto Natural", sem intervenções, sem anestesia e domiciliar em muitos casos. No entanto o termo "Parto Natural" muitas vezes tem sido utilizado como sinônimo de "Parto Vaginal", o que nem sempre é verdadeiro. Um parto vaginal com episiotomia, rompimento artificial da bolsa d'água, aceleração com soro, anestesia, raspagem dos pêlos, entre outras intervenções, não pode ser classificado com o nome de "Parto Natural".
O termo "Parto Sem Dor" tem várias conotações. Os métodos psicoprofiláticos desenvolvidos especialmente nos Estados Unidos propunham uma espécie de treinamento às gestantes, baseado em técnicas respiratórias, de relaxamento, de concentração, entre outas. A idéia geral é que uma mulher bem preparada para o parto e bem acompanhada durante todo o processo terá muito menos dor do que uma mulher assustada e tensa. A idéia faz sentido, mas convém lembrar que a dor do parto continua existindo, agora sem o sofrimento causado por medo e tensão. Os métodos mais conhecidos são Bradley, Lamaze e Hipnobirth.
No Brasil "Parto Sem Dor" é comumente confundido com parto sob anestesia. Obviamente a anestesia bloqueia a dor, mas também diminui as sensações das pernas e do assoalho pélvico. Essas sensações são responsáveis pela força que a mulher faz na hora de "empurrar" o bebê para fora. Portanto, embora haja o bloqueio a dor, alguns efeitos indesejáveis como a perda do controle sobre o processo do parto, entre outros, podem ocorrer. Em muitos serviços médicos a anestesia é aplicada no final do trabalho de parto, já no período expulsivo, de modo que o período de dilatação não se passa sob efeito das drogas anestésicas. De qualquer modo, as formas naturais de se lidar com a dor deveriam ser largamente oferecidos e utilizados antes de serem aplicados os métodos farmacológicos de bloqueio da dor.
Atualmente um novo termo tem sido utilizado: "Parto Humanizado". Como não houve uma formal definição do termo, ele é usado em todo tipo de circunstância. Para o Ministério da Saúde, parto humanizado significa o direito que toda gestante tem de passar por pelo menos 6 consultas de pré-natal e ter sua vaga garantida em um hospital na hora do parto. Para um grupo de médicos, significa permitir que o bebê fique sobre a barriga da mãe por alguns minutos após o parto, antes de ser levado para o berçário. Em alguns hospitais públicos significa salas de partos individuais, a presença de um acompanhante, alojamento conjunto, incentivo à amamentação, entre outros benefícios.
No mundo inteiro, no entanto, o que está se discutindo é: "o atendimento centrado na mulher". Isso deveria ser o correto significado de parto humanizado. Se a mulher vai escolher dar à luz de cócoras ou na água, quanto tempo ela vai querer ficar com o bebê no colo após seu nascimento, quem vai estar em sua companhia, se ela vai querer se alimentar e beber líquidos, todas essas decisões deverão ser tomadas por ela, protagonista de seu próprio parto e dona de seu corpo. São as decisões informadas e baseadas em evidências científicas.
Enquanto nós mulheres não reivindicarmos nossos direitos, enquanto as decisões couberem aos profissionais prestadores de serviços médicos, aos hospitais que elas escolheram, à diretoria que cria as condições de atendimento, enfim, enquanto deixarmos que os outros cuidem do que é nosso, os "tipos de parto" fazem sentido. É a classificação dos partos que nos serão permitidos ou oferecidos de acordo com as necessidades, conveniências e crenças dos outros.
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
Eu posso parir!
Todas as mulheres da minha família, nas últimas gerações, pariram. Todas! Minha bisavó teve sete lindas filhas. Todas saudáveis. Todas nasceram de parto domiciliar, na época assistido apenas por parteira tradicional. Minha avó materna teve 10 filhos. Todos, com exceção do último, nasceram de parto domiciliar também. O único que nasceu em hospital, o mais novo, foi parido também. E olha que minha avó, apesar da experiência de ter vivenciado nove partos, teve sua hora ignorada pela enfermeira que “auxiliava” as mulheres do pré-parto. A tal enfermeira disse que ainda ia demorar. Minha avó deu à luz, mesmo sem a ajuda da mulher, em menos de dez minutos naquele dia.
Minha avó paterna teve uma situação mais complicada. Meu pai, seu único filho, estava nascendo em casa. Eis que nasceu um pé e um braço, e o trabalho de parto estacionou. Minha avó morava em uma pequena cidade do interior. Ele foi devolvido à barriga (!!!!) e minha avó trazida para a capital. Aqui o parto foi concluído com a ajuda de médicos, mas não foi uma cesariana; os médicos perguntaram se deveriam salvar ela ou o bebê. Escolheram salvar a mãe, mas, como podem perceber, meu pai sobreviveu (sem sequelas) e estou aqui contando a história. Isso aconteceu no início da década de 50. A cesariana já existia, mas os médicos preferiam ajudá-la a parir . Ah, ela estava com quarenta anos. Alguém tem dúvida que hoje ela teria sofrido uma cesariana?
Minhas tias pariram. Tias maternas, não tenho tias paternas, visto que meu pai é filho único. Todos os meus primos e primas nasceram de parto normal. A propósito, todas as minhas primas que têm filhos também pariram, e olha que são da nossa geração (incrível)!
Minha mãe também pariu. Foram três filhos. Partos cheios de intervenção, é verdade. Todos partos hospitalares. Mas fiquei orgulhosa da minha mãe: esses dias ela contou que, quando estava me trazendo ao mundo, recusou o famoso sorinho. Ela me disse que não queria nada na mão dela, atrapalhando sua mobilidade. E olha que ela nem sabia que aquele tal sorinho poderia conter substâncias para acelerar o trabalho de parto. O médico? Disse “deixa” pra enfermeira. O que ele podia fazer pra controlar aquela mulher tão dona da situação? Ah, e quase “sentou” na maca, hahaha! Escolheu a posição que queria pra parir. E ainda me revelou que o sonho dela era parir na água!
Eu não pensava em ter filhos. Aliás, pensava. Mas temia. Temia tudo, mas principalmente temia a dor. Não consigo explicar o porquê, mas tinha pavor. Não sei se a culpa é das cenas criadas para telenovelas ou se pela formação que recebi, aprendendo que “por causa do pecado, Deus multiplicou as dores do parto”. O fato é que, juntando-se os medos das dores e as dores que a responsabilidade de educar um ser humano traz, havia desistido de parir. Aliás, mais que isso, havia desistido de ser mãe.
Acontece que, tão inexplicável quanto o surgimento dos medos, voltou à tona a vontade de deixar um pouquinho do meu DNA para as gerações futuras. Junto com essa vontade, veio o desejo de buscar informações, saber se realmente era verdade que parir é sinônimo de sofrer. Na minha cabeça, parir era um mal necessário. Um sofrimento obrigatório para quem deseja gozar da benesse que é o ser mãe. Mal sabia eu que atualmente, no Brasil, o difícil é alguém acreditar que uma mulher precise passar pelo parto para ser mãe.
Comecei a ler e a ficar assustada. Parir é bem mais, muito mais difícil do que eu acreditava. Não, não falo aqui de dores cinematográficas não. O medo dessas, perdi. Descobri que dor é algo relativo e que existem formas naturais e eficazes de diminuir a sensação de dor. Descobri também que a famosa dor do parto nem é intermitente. Que quando ela se torna contínua está perto do bebê chegar. Que o corpo da mulher libera hormônios que produzem sensação de prazer no processo do parto. Descobri até – pasmem – que existem mulheres que afirmam ter parto orgásmico!
Mas então por que parir se tornou uma tarefa tão difícil? Simples: quase ninguém mais acredita que a mulher pode parir. Na maioria das vezes nem mesmo a própria mulher acredita. Um processo que, antes, era considerado fisiológico é agora encarado pela maioria como uma situação de extremo risco, como se o bebê do século XXI fosse uma bomba relógio dentro da mãe, que precisa ser desativada antes de explodir. E como se o médico “cesarista” fosse um herói, um ser fantástico capaz de desativar essa bomba. A maioria das mulheres ouve, desde a primeira consulta do seu pré-natal, alguma desculpa para ter sua barriga cortada e seu bebê extraído. Ah, as mulheres de hoje em dia só produzem bebê com cordões assassinos! E tem mais: muitas têm uma evolução às avessas, pois têm quase sempre um quadril muito estreito (!?) para a passagem do bebê! O que Darwin diria sobre isso?
Felizmente existem algumas mulheres – raras mulheres – que acreditam que são capazes, sim, de parir! Encontrei algumas dessas mulheres na minha busca por informações. Mulheres que ainda lembram que são humanas, de carne e osso. Que são mamíferas, menstruam, que têm útero. E que foram “feitas” fisiologicamente para parir. Mulheres que ainda sabem que são animais, bicho-gente. Dito assim parece assustador, mas essa é a nossa essência: somos animais, somos natureza. Por perder essa essência, creio eu, é que nosso planeta está se degradando (mas isso é assunto pra outro texto). Descobri que quero ser uma dessas mulheres, que não tem medo de sangue, que não nega dores, mas que entende que elas são suportáveis e fisiológicas, uma resposta natural de um corpo que se prepara pra produzir um dos mais espantosos e lindos feitos da natureza. Hoje compreendo que um trabalho de parto não é sinônimo de sofrimento, e que é um evento natural da vida de uma mulher saudável.
Decidi que quero ser mãe. Não, ainda não estou gestando, pelo menos não no meu útero. Estou gestando no meu cérebro. Como humanos, temos uma condição diferente de outros seres da natureza, podemos planejar nossas ações. Sim, é a razão. A tão aclamada razão. Decidi usá-la a meu favor. Decidi refletir sobre o assunto parto antes mesmo de ter um bebê no ventre, e cheguei a conclusão que me parece mais óbvia: parir é a melhor forma de trazer um filhote de humano ao mundo! Simples assim! Depois de ler e conhecer muitas histórias, mas ainda não todas que posso até engravidar – e parir – descobri que, apesar da “hospitalização” e “medicalização” do nascimento, – fantástico (!) – , a mulher pode parir! Vejam, comecei mostrando que isso é fato, foi assim com minhas “ancestrais”, com as mulheres da minha família. E por que comigo será diferente? Infelizmente é bastante difícil convencer as pessoas dessa conclusão óbvia. Porém percebo que a grande diferença está no que eu mesma acredito, e que cabe a mim lutar para alcançar a realização dessa meta. Sim, eu quero, eu desejo, eu escolho parir! Eu posso parir!
Texto de Anne - 28/08/09- Uma mulher que, sim, conseguiu parir! em breve postarei seu Relato de Parto.
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Cesárea não é normal!
Percorrer o caminho natural, do útero até o abraço da mãe, é uma viagem fascinante, saudável, milenar, que cria laços e memórias inesquecíveis.
O Brasil é o campeão mundial em número de cesáreas. Segundo dados do Ministério da Saúde, dos cerca de três milhões de nascimentos que acontecem todos os anos, 80% dos que ocorrem na rede privada são cesáreas. Na rede pública o número é mais baixo, mas ainda continua bem elevado, em 26%. Índices muito acima daqueles recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que vai de 15% a 20% de cesáreas.
Aquilo que é natural e biológico, e que deveria ser simplesmente uma mulher trazer seus filhos ao mundo através do parto normal, não vem acontecendo entre nós. A cesárea, cirurgia inventada na Roma dos césares, daí o nome, foi criada para situações de emergência, quando o bebê não sairia de nenhuma outra maneira de dentro do útero materno a não ser através de uma incisão.
Trata-se de uma das grandes maravilhas da medicina, pois, se ela não existisse, as vidas de mãe e filho estariam em risco. Mas sua indicação deve ser criteriosa e considerada em casos raros. No Brasil, porém, seja por comodidade do médico, da mãe ou de ambos, a cesárea tornou-se uma opção, algo que mães e médicos discutem como se fosse uma possibilidade aberta a todas – e tem virado uma mania. Perigosa, a bem da verdade.
Sabemos que o parto natural não tem hora para acontecer, deixa todo mundo na expectativa, de prontidão a qualquer hora do dia ou da noite, exige paciência e um trabalho árduo até chegar à dilatação e, eventualmente, à expulsão do bebê.
Há casos em que o trabalho de parto dura 24 horas. E é um processo dolorido, como se sabe. Mas nada que não se possa suportar. Já a cesárea, que é uma cirurgia, é feita sob anestesia e com hora marcada. Dor, espera e sofrimento no trabalho de parto passam longe. Mas, se perguntarmos aos nossos obstetras, honestamente, o que é melhor para o bebê, a resposta é uma só: sem dúvida, o parto normal.
Por isso, antes de optar por uma cesariana, seja por comodidade ou por medo de sentir dor, procure buscar informações para conhecer os grandes benefícios que um parto vaginal traz, tanto para a mãe quanto para o bebê. No parto natural, a sensação do corpo funcionando é deliciosa. A dor é o de menos. Estar bem para receber seu bebê, sem precisar ser submetida a cortes profundos e sem, ou com o mínimo possível, de anestesia, faz toda a diferença.
Parto natural é melhor para todo mundo
De acordo com o dr. Jorge Kuhn, pai de Clara, Renata e Otávio, há outras vantagens: “Durante o trabalho de parto, um coquetel de substâncias é produzido e liberado pelo corpo da mãe e passa para o bebê”.
Entre estas substâncias estão a ocitocina, que estimula as contrações; a prolactina, que será essencial na produção de leite; as beta-endorfinas, que aliviam a dor; e o cortisol, importante no amadurecimento dos pulmões do bebê. Na fase final do parto começa a ser produzida a adrenalina, que dá um ânimo extra à mãe e ao bebê no momento da expulsão.
Para os bebês, além dos benefícios do coquetel citado acima, o principal benefício é que, ao passar pelo canal de parto (a vagina dilatada e pulsante), o bebê é submetido a uma massagem feita naturalmente nos pulmões – que faz com que o líquido amniótico inspirado seja eliminado.
O obstetra Abner Lobão, da Universidade Federal de São Paulo, pai de Artur, comenta que a nomenclatura já mostra a diferença: um parto é natural e fisiológico; a cesárea é uma cirurgia. Há sempre o risco de um parto “agendado” trazer ao mundo um bebê antes da hora. “Numa cesárea, é maior a probabilidade de nascimento de prematuros, com todas as complicações associadas. E mesmo quando dois bebês nascem no tempo certo (cerca de 40 semanas), o do parto normal tem melhor desempenho no berçário do que o nascido de cesárea”.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Humanização do parto: mais que um direito da mulher.
O que é parto humanizado?
"Parto humanizado é aquele em que a parturiente tem o direito de ver o seu corpo agir e tendo as suas vontades respeitadas dentro do trabalho de parto. Um parto humanizado é um evento fisiológico, onde a mãe e o bebê têm a feliz e saudável oportunidade de completar o ciclo biológico da vida dentro das condições que o organismo oferece.
Pode ser que não seja totalmente natural, mas ainda assim, ocorrendo por via baixa e preservando-se o protagonismo da mãe e do bebê, jamais deixará de ser um parto humanizado.
Cesárea ELETIVA é humanizada? De forma alguma! Afinal, o desejo da mãe e a conveniência médica foram devidamente respeitadas, mas e quanto ao bebê? Estava na hora de sair pra vida extra-uterina? Houve algum benefício fisiológico ou, ao menos, a menor tentativa e incentivo para que ciclo biológico da vida tivesse tempo de se concluir?
Como enxergar humanização em etapas que são grotescamente atropeladas? Como querer vincular um conceito tão bem expresso a um ato cirúrgico usado de maneira equivocada? Vide exemplos de gestantes que diariamente recebem o "diagnóstico" de circular de cordão, por exemplo, como justificativa pra se marcar uma cirurgia desnecessária."
Para a mulher garantir que o parto seja realmente humanizado, existem três coisas essenciais: A equipe, um plano de parto, e a plena consciência de que ela pode parir! O acompanhamento de uma doula ajuda muito também, pelo apoio emocional principalmente.
Em breve falarei mais sobre as "santas" Doulas...
E o seu parto, foi humanizado? Você realmente protagonizou esse momento inesquecível ou deixou que o médico tomasse as rédeas?
Foto de um parto normal humanizado