sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Oito fatos sobre o sono de bebês que todo pai e toda mãe deveriam saber

Aqui em casa o sono é nosso maior problema. Rafael se esgoela, se debate e luta contra o sono. Tem que rolar todo um ritual, banho morno, barulho estático, caminha dos papais, mamar e embaladas. Às vezes, após tudo isso e uns 50 minutos de insistência, ele dorme. Não é fácil! Muito exaustivo para os pais e tenho certeza que pra ele também. Segue texto do Dr. Sears, e em seguida postarei a tabela do sono dos bebês.

Para melhor entender como tornar possível que você e seu bebê apreciem a hora de ir dormir e permaneçam dormindo, aqui vão alguns princípios do sono
que todo pai/mãe recentes precisam entender.

1. Como você dorme - Depois de vestir-se ou despir-se para ir para a cama, a maioria dos adultos relaxa para o sono ao executar vários rituais noturnos:
leitura, música, TV ou sexo. Quando você adormece, os centros elevados no cérebro começam a descansar, possibilitando a você entrar nos estágios de
sono profundo chamados "não-REM" (REM da sigla em inglês para movimentos rápidos dos olhos), ou sono profundo (também chamado de sono tranqüilo). Sua
mente e seu corpo estão mais tranqüilos durante esse estágio do sono. Seu corpo está parado, sua respiração está superficial e regular, seus músculos
estão soltos e você está "chapado". Depois de uma hora e meia nesse estágio de sono tranqüilo, seu cérebro começa a "despertar" e começa a trabalhar, o
que tira você do sono profundo, trazendo-o para o sono leve ou sono ativo, chamado de sono REM (movimento rápido dos olhos). Durante esse estágio do
sono seus olhos realmente se movem sob suas pálpebras enquanto seu cérebro se exercita. Você sonha e começa a se mexer e talvez até arrume as cobertas
sem estar totalmente acordado. É durante esse estágio do sono que você talvez acorde para ir ao banheiro, para depois retornar à cama e mergulhar
num sono profundo. Estes ciclos alternados de sono leve e profundo continuam a cada duas horas ao longo da noite, então um adulto típico pode ter uma
média de seis horas em sono tranqüilo e duas horas em sono ativo. Portanto, você não dorme profundamente a noite toda, embora talvez sinta como se
dormisse.

2. Como bebês iniciam o sono - Você está embalando, caminhando ou amamentando seu bebê e as pálpebras dele começam a fechar assim que ele
adormece em seus braços. Os olhos dele fecham-se completamente, as pálpebras continuam a tremer e a respiração ainda é irregular. As mãos e braços estão
flexionados, e ele pode se assustar, contrair os músculos e sorrir rapidamente, é o chamado "sorriso do sono". Ele talvez continue a sugar com
a boca tremendo. Assim que você dobra seu corpo para colocar seu bebê "adormecido" no berço e tentar sair silenciosamente de perto, ele acorda e
chora. Isso acontece porque ele não estava completamente adormecido. Ele estava ainda naquele estágio de sono leve quando você o colocou no berço.
Agora tente novamente seu ritual noturno, mas continue por mais tempo (cerca de 20 minutos a mais). Você vai notar que o bebê pára de sorrir e de
contrair-se; a respiração dele torna-se mais regular e superficial, os músculos completamente relaxados. Os punhos fechados abrem-se e os braços e
pernas ficam pendurados como se não tivessem peso algum. Martha e eu chamamos isso de "membros bambos", um sinal de sono profundo. O bebê agora
está num sono mais profundo, permitindo que você o coloque no berço e saia de perto, suspirando aliviado e satisfeito porque seu bebê finalmente está
descansando confortavelmente.

LIÇÃO NÚMERO 1 PARA OS PAIS NA HORA DE DORMIR: Bebês precisam dos pais para dormir, não podem simplesmente ser postos para dormir. Alguns bebês podem
ser colocados no berço sonolentos mas ainda acordados e cair no sono por si sós, outros precisam de ajuda dos pais, sendo embalados ou amamentados
para dormir.

A razão é que, enquanto adultos podem geralmente ir direto para o estágio de sono profundo, bebês nos seus primeiros meses de vida caem no sono
através de um período inicial de sono leve. Depois de 20 minutos ou mais eles gradualmente entram no sono profundo, do qual eles não são tão
facilmente despertados. Como você provavelmente sabe por experiência própria, se você tentar apressar seu bebê para colocá-lo na cama enquanto
ele ainda está no estágio inicial de sono leve, ele geralmente acorda.
Muitos pais e mães me dizem: "Meu bebê precisa estar completamente adormecido antes que eu possa colocá-lo no berço." Em alguns meses, alguns
bebês podem cair num sono profundo mais rapidamente, ultrapassando o longo estágio de sono leve. Aprenda a reconhecer os estágios de sono do seu bebê.
Espere até que seu bebê esteja num sono profundo antes de mudá-lo de um lugar para outro, como da sua cama para o berço ou da cadeirinha do carro
para cama/berço.

3. Bebês têm ciclos de sono mais curtos que você. Permaneça em pé ao lado do seu bebê adormecido e observe enquanto ele dorme. Cerca de uma hora depois
que ele adormece, ele começa a se encolher, revira-se um pouco, suas pálpebras mexem, ele esboça um sosrriso, sua respiração torna-se irregular,
seus músculos contraem-se. Ele está novamente entrando na fase de sono leve.
O tempo de transição entre sono profundo e sono leve é um período vulnerável durante o qual muitos bebês vão acordar se houver algum estímulo
desconfortável ou irritante, como fome. Se o bebê não acordar, ele permanecerá neste período de sono leve durante os próximos 10 minutos e
retorna novamente para o sono profundo. Os ciclos de sono dos adultos (passagem de sono leve para profundo e depois de volta ao sono leve) duram
em média 90 minutos. Os ciclos de sono dos bebês é mais curto, durando 50 a 60 minutos, então eles vivenciam um período vulnerável para acordar no meio
da noite a cada hora ou até menos. Quando seu bebê entra no ciclo de sono leve, se você colocar uma mão carinhosa nas costas dele e cantar uma cantiga
de ninar calma, ou somente permanecer ao lado do bebê se ele estiver na sua cama; você pode ajudá-lo a superar esse período de sono leve sem acordar.

LIÇÃO NÚMERO 2 PARA OS PAIS NA HORA DE DORMIR: Alguns bebês precisam de ajuda para adormecerem novamente.

Alguns bebês "auto-suficientes" podem superar o período vulnerável sem despertarem completamente e se eles acordam, eles podem retornar ao sono
profundo sozinhos. Outros bebês precisam de uma mão carinhosa, uma voz ou o seio da mãe para retornar ao sono profundo. A partir destas diferenças
únicas no ciclo de sono, aprendemos que um dos objetivos da atuação dos pais na hora de colocar os bebês para dormir é criar um ambiente que auxilie o
bebê a superar o período vulnerável e retornar ao sono profundo sem acordar.

4. Bebês não dormem tão profundamente quanto você. Não só os bebês levam mais tempo para adormecer como também têm períodos vulneráveis para acordar
com mais freqüência; eles têm duas vezes mais períodos de sono ativo ou leve que os adultos. À primeira vista, isso parece injusto com os pais cansados
depois de um longo dia de cuidados com o bebê. Entretanto, se você considerar o princípio de desenvolvimento por trás da forma como os bebês
dormem - ou não - por uma razão vital, pode parecer mais fácil para você compreender as necessidades do seu bebê na hora de adormecer e desenvolver
um estilo de "hora de dormir" que ajude mais do que prejudique os ritmos naturais de sono do bebê. É aqui que aparecem os meus conflitos com os
"treinadores de sono" modernos que recomendam uma variedade de técnicas e apetrechos para ajudar o bebê a dormir mais profundamente durante a noite -
há um preço, e talvez, um risco.

5. Acordar durante a noite traz benefícios à sobrevivência. Nos primeiros meses de vida, as necessidades do bebê estão no limite máximo, mas sua
habilidade de comunicá-las é mínima. Suponhamos que um bebê permanece profundamente adormecido durante a maior parte da noite. Algumas
necessidades básicas iriam permanecer não supridas. Bebês novinhos têm estômagos diminutos e o leite materno é digerido muito rapidamente. Se o
estímulo de fome do bebê não o acordasse facilmente, isso não seria bom para sobrevivência dele. Se um nariz entupido e uma dificuldade respiratória, ou
um ambiente frio o incomodassem e o estado de sono estivesse tão profundo que ele não pudesse comunicar tais necessidades, a sobrevivência dessa
criança estaria em jogo.

Uma coisa que aprendemos durante nossos anos em pediatria é que bebês fazem o que fazem porque eles foram programados dessa forma. No caso do sono do
lactente, pesquisas sugerem que o sono ativo protege os bebês. Imagine que seu bebê dormisse como um adulto, o que significaria o predomínio do sono
profundo. Parece maravilhoso ! Para você, talvez, mas não para o bebê.
Imagine que o bebê tivesse necessidade de calor, comida, ou uma via aérea desobstruída, mas porque ele estivesse dormindo tão profundamente ele não
pudesse despertar e reconhecer ou agir para ter suas necessidades supridas.
O bem-estar do bebê estaria ameaçado. Parece que bebês nascem programados com padrões de sono que possibilitam acordar em resposta a circunstâncias
que ameaçam seu bem-estar. Nós acreditamos e pesquisas respaldam que os estágios freqüentes de sono REM servem ao melhor interesse psicológico dos
bebês durante os primeiros meses, quando seu bem-estar está mais ameaçado.

LIÇÃO NÚMERO 3 PARA OS PAIS NA HORA DE DORMIR: Encorajar um bebê a dormir profundamente demais, cedo demais, pode não servir ao melhor interesse de
sobrevivência e desenvolvimento do bebê. É por isso que novos pais, vulneráveis aos apelos dos "treinadores do sono" para conseguir que seus
bebês durmam a noite, não devem se sentir pressionados a conseguir que seus bebês durmam por tempo demais, profudamente demais, cedo demais.

6. Acordar durante a noite tem seus benefícios em termos de desenvolvimento.
Pesquisadores do sono acreditam que bebês dormem de forma mais "inteligente" que os adultos. Eles teorizam que o sono leve ajuda o cérebro a
desenvolver-se porque este não descansa durante o sono REM. De fato, o fluxo sangüíneo até o cérebro quase dobra durante o sono REM. (Esse aumento
de fluxo sangüíneo é particularmente evidente na área do cérebro que controla automaticamente a respiração). Durante o sono REM o corpo aumenta a
sua produção de certas proteínas nervosas, os "tijolos" de construção do cérebro. Acredita-se que a aprendizagem também ocorra durante o estágio
ativo de sono.

O cérebro pode usar esse momento para processar informações adquiridas enquanto desperto, armazenando o que é benéfico ao indivíduo e
descartando o que não é. Alguns pesquisadores do sono acreditam que o sono REM age para auto-estimular o cérebro em desenvolvimento, provendo imagens
benéficas que promovem o desenvolvimento mental. Durante o estágio de sono leve, os centros mais elevados do cérebro permanecem operando, mas durante o
sono profundo esses centros são desligados e o bebê é mantido através dos centros inferiores do seu cérebro. É possível que durante o estágio de
crescimento rápido do cérebro (o cérebro dos bebês cresce até cerca de 70% do volume adulto durante os primeiros 2 anos), o cérebro precise continuar
funcionando durante o sono para desenvolver-se. É interessante notar que prematuros passam ainda mais tempo do seu sono (aproximadamente 90%) em
REM, talvez para acelerar o crescimento cerebral. Como se pode ver, o período da vida quando humanos dormem mais e o seu cérebro se desenvolve
mais rapidamente é também aquele em que eles têm o sono mais ativo. Certa vez, quando eu estava explicando a teoria do sono leve que desenvolve o
cérebro dos bebês, uma mãe cansada de um bebê muito alerta deu uma gargalhada e disse "se isso é verdade, meu bebê vai ser muito inteligente".

7. À medida em que crescem, os bebês atingem a maturidade do sono. "Okay", você diz, "eu entendo o planejamento do desenvolvimento, mas quando meu bebê
vai dormir durante a noite toda ?" A idade na qual os bebês se acomodam - o que significa quando eles adormecem rapidamente e permanecem adormecidos
varia enormemente entre os bebês. Alguns adormecem facilmente, mas não permanecem adormecidos. Outros adormecem com dificuldade mas permanecem
adormecidos. Outros bebês que provocam exaustão nem querem adormecer nem permanecem adormecidos.

Nos primeiros 3 meses de vida, bebezinhos raramente dormem por mais que 4 horas seguidas sem precisarem de uma mamada. Bebezinhos novinhos têm
estômagos diminutos. Mesmo assim, eles dormem um total de 14-18 horas por dia. Entre 3 a 6 meses de idade, a maioria dos bebês começa a se acomodar.
Eles estão acordados por períodos maiores durante o dia e alguns podem até dormir por 5 horas seguidas durante a noite. Entre 3 a 6 meses, esteja
preparado para uma ou duas levantadas durante a noite. Você também verá que o período de sono profundo aumenta. Os períodos vulneráveis para acordar
durante a noite diminuem e os bebês são capazes de entrar num sono profundo mais rapidamente. Isso é chamado maturidade do sono.

LIÇÃO NÚMERO 4 PARA OS PAIS NA HORA DE DORMIR: Um fato importante a ser lembrado é que os hábitos de sono de seu bebê são mais um retrato do
temperamento do seu bebê do que o estilo de seus pais colocarem-no para dormir. Tenha em mente que outros pais geralmente exageram quanto à
quantidade de horas que os bebês deles dormem, como se isso fosse um distintivo de "bons pais", quando na verdade não é. Não é por sua culpa que
o bebê acorda.

8. Bebês ainda acordam. Há uma variação entre os bebês sobre quando eles amadurecem para esses padrões de sono semelhantes ao de adultos. Entretanto,
apesar de os bebês atingirem essa maturidade do sono entre a segunda metade do primeiro ano de vida, muitos ainda acordam. O motivo ? Estímulos
dolorosos, como resfriados e dores da erupção dos dentes, tornam-se mais freqüentes. Acontecimentos importantes no desenvolvimento, como sentar,
engatinhar, caminhar, levam os bebês a "praticarem" suas novas habilidades enquanto dormem. Então entre um e dois anos de idade, quando o bebê começa a
dormir durante os estímulos para acordar acima mencionados, outras causas levam-no a acordar durante a noite, como ansiedade de separação e pesadelos.

Mesmo compreendendo o porquê de bebês terem uma tendência a acordar durante a noite, conclui-se que é importante tanto para pais quanto para os bebês
terem uma noite de sono reparador, senão bebês, pais e seu relacionamento não vão vingar.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

O choro dos bebês

Bebês choram, e muito. Mas qual o motivo? Como saber distinguir o choro de fome, sono, sede, fralda? No meu caso o principal choro é por sono. Rafael luta contra o sono absurdamente. Vou inclusive primeiramente falar sobre o choro, mas amanhã postarei sobre o sono. Só digo uma coisa a mamães de primeira viagem. Não tem coisa mais triste do que alguém que deixe um bebê chorando. Já que esta é a única forma de comunicação que eles têm com a gente. Seu bebê precisa de você!

Acredite no valor da linguagem do choro do seu bebê. O choro de um bebê é um sinal programado para a sua sobrevivência e para o desenvolvimento dos pais. Responder sensivelmente ao choro do seu bebê cria confiança. Bebês confiam nas pessoas que cuidam deles para satisfazerem suas necessidades. Pais gradualmente aprendem a confiar na sua habilidade de satisfazer as necessidades do seu bebê. Isso eleva a comunicação entre pais-filhos a um nível mais alto. Bebezinhos choram para comunicar, não para manipular.

1. O choro do bebê é um sinal perfeito
Cientistas já há muito concluíram que o som do choro de um bebê tem todas as três características de um sinal perfeito.

* Primeiro, um sinal perfeito é automático. Um recém-nascido chora por reflexo. Ele tem uma necessidade, que desencadeia uma inspiração súbita de ar seguida por uma expiração forçada de ar através das cordas vocais, que vibram para produzir o som que chamamos de choro. Nos primeiros meses, o bebezinho não pensa "que tipo de choro vai me possibilitar ser alimentado ?" Ele só chora automaticamente. O choro é facilmente criado. Uma vez que os pulmões estão cheios de ar, o bebê pode iniciar o choro com muito pouco esforço.

* Segundo, o choro é apropriadamente perturbador: alto o suficiente para atrair a atenção de quem está cuidando do bebê e fazê-lo tentar parar o choro, mas não tão perturbador que leve o ouvinte a tentar evitar o som completamente.

* Terceiro, o choro pode ser modificado quando ambos mensageiro e ouvinte aprendem formas de fazer o sinal mais preciso. Cada bebê é único. O choro de um bebê é uma linguagem e cada bebê chora de uma forma diferente. Pesquisadores da voz chamam tais sons de impressões do choro, que são tão individuais para cada bebê quanto impressões digitais.

2. Resposta biológica
2. Responder ao choro do bebê é biologicamente correto. Uma mãe é biologicamente programada para dar uma resposta reconfortante para o choro do seu recém-nascido e não para conter-se. Mudanças biológicas fascinantes acontecem no corpo da mãe em resposta ao choro do seu bebê. Depois de ouvir o choro, aumenta o fluxo sangüíneo nos seios da mãe, acompanhado de uma urgência biológica para "pegar e amamentar". O ato de amamentar por si só causa um aumento na prolactina, um hormônio que se acredita forme a base biológica do termo "intuição materna". Ocitocina, o hormônio que leva à descida do leite, traz sensações de relaxamento e prazer; uma sensação prazerosa após a tensão proporcionada pelo choro do bebê. Esses sentimentos ajudam a mãe a amar seu bebê. Mães, dêem atenção às dicas biológicas quando seu bebê chora ao invés de ouvir os conselhos das pessoas que recomendam ignorar o choro. Esses acontecimentos biológicos explicam porque é fácil para outros dizerem tal coisa. Eles não estão biologicamente conectados ao seu bebê. Nada acontece com os hormônios deles quando seu bebê chora.

3. Ignorar ou responder ao sinal do choro ?
Uma vez que você compreende o valor especial do sinal de choro do seu bebê, o importante é saber o que fazer quando acontece. Você tem duas opções básicas: ignorar ou responder. Ignorar o choro do seu bebê é geralmente uma situação em que há perdas dos dois lados. Um bebê mais passivo desiste e pára de dar o sinal, torna-se arredio, eventualmente percebe que chorar não vale a pena e conclui que ele mesmo não vale a pena. O bebê perde a motivação para comunicar-se com seus pais, os pais perdem a oportunidade de conhecerem seu bebê. Todos perdem. Um bebê com personalidade persistente não desiste tão facilmente. Ao invés disso, ele chora mais alto e continua aumentando o sinal, fazendo-o mais e mais desconcertante. Você poderia ignorar esse sinal persistente de várias maneiras. Você poderia esperar até que ele pare de chorar e depois pegá-lo no colo, assim ele não pensa que foi o choro que conseguiu sua atenção. Isso na verdade é uma guerra de poder: você ensina o bebê que você está em controle da situação, mas também ensina que ele não tem poder de comunicação. Isso fecha o canal de comunicação mãe-filho (ou pai-filho) e, a longo prazo, todos saem perdendo.

Você poderia se dessensibilizar tão completamente a ponto de o choro não incomodar mais; assim você pode ensinar seu bebê que ele só é atendido quando é a hora certa. Essa também é uma situação em que todos saem perdendo: o bebê não consegue o que precisa e os pais permanecem travados, sem poderem apreciar a personalidade única do seu bebê. Ou, você poderia pegar o bebê para acalmá-lo e colocá-lo de volta no berço porque "não é hora de alimentá-lo ainda". Ele tem que aprender, afinal de contas, a ser feliz "por si só". Todos saem perdendo novamente; ele começa a chorar e você fica nervosa(o). Ele vai aprender que suas técnicas de comunicação, embora ouvidas, não são atendidas, o que pode levá-lo a desconfiar de suas próprias percepções: "talvez eles estejam certos. Talvez eu não esteja com fome".

4. Resposta imediata
Sua outra opção é dar uma resposta imediata e carinhosa. Esta é a situação em que ambos os lados saem ganhando e desenvolvem um sistema de comunicação que funciona para os dois. A mãe responde de forma rápida e sensível, então o bebê sente-se menos desesperado na próxima vez em que precisa de alguma coisa. Ele aprende a "chorar melhor", de uma forma menos perturbadora porque sabe que sua mãe virá. A mãe organiza seu ambiente de forma que haverá menos necessidade para o bebê chorar; ela o mantém perto dela, assim sabe se ele está cansado e pronto para dormir. A mãe também desenvolve sua sensibilidade para interpretar o choro e dá a solução correta. Uma resposta rápida quando seu bebê é novinho e chora facilmente ou quando o choro deixa claro que ele está em situação de perigo real; uma resposta lenta quando seu bebê é mais velho e começa a aprender como resolver seus próprios incômodos sozinho.

Responder apropriadamente quando seu bebê chora é o primeiro e mais difícil desafio de comunicação que você enfrentará como mãe. Você vai tornar-se especialista no assunto somente após ensaiar milhares de respostas ao choro nos primeiros meses. Se você desde início encarar o choro do bebê como um sinal a ser respondido e analisá-lo ao invés de pensar que é um mau hábito e deve ser eliminado, você estará abrindo-se para tornar-se uma especialista nos sinais do seu bebê, o primeiro passo para ser uma especialista sobre tudo o que diz respeito a seu bebê. Cada sistema de sinalização mãe-bebê é único. É por isso que é tão limitada a visão dos "treinadores de choro", que prescrevem fórmulas para responder ao choro, como "deixe-o chorar por cinco minutos na primeira noite, dez minutos na segunda" e assim por diante.

Culpa ?
Não é por sua culpa que o bebê chora. Nem é sua responsabilidade fazê-lo parar de chorar. Claro, você permanece aberta a novas dicas para ajudar o seu bebê (como uma mudança na sua dieta ou carregá-lo junto ao seu corpo) e envolve o pediatra se você suspeita de uma causa física por trás do choro. Haverá vezes em que você não saberá o porquê de o bebê estar chorando - e você vai se perguntar se o próprio bebê saber porque chora. Algumas vezes o bebê simplesmente precisa chorar e você não precisa se desesperar para fazê-lo parar depois de ter tentado o que geralmente funciona.

É um fato da vida de uma nova mãe ou novo pai que, embora o bebê chore para expressar uma necessidade, o estilo que ele usa para fazê-lo resulta do seu próprio temperamento. Não leve o choro do bebê para o lado pessoal. Sua função é criar um ambiente de apoio para diminuir a necessidade que seu bebê tem de chorar, oferecer um par de braços carinhosos e relaxados para que o bebê não chore sozinho e fazer um trabalho de detetive para descobrir o porquê do choro e como você pode ajudar o bebê. O resto é com o bebê.

6. O que dizem os estudos
As pesquisadoras Sylvia Bell e Mary Ainsworth fizeram pesquisas nos anos 70 que deveriam ter eliminado a teoria de mimar a criança para sempre. (É interessante notar que até hoje os autores que escrevem sobre desenvolvimento infantil e recomendam deixar o bebê chorar são quase sempre do sexo masculino). Essas pesquisadoras estudaram dois grupos de pares mães-bebês. O grupo 1 de mães dava uma resposta imediata ao choro do seus bebês. O grupo 2 era mais contido na sua resposta. Elas concluíram que as crianças do grupo 1, cujas mães haviam dado uma resposta mais carinhosa e rápida nos primeiros meses de vida tinham menos probabilidade de usar o choro como forma de comunicação em torno de 1 ano de idade. Essas crianças aparentavam maior ligação com as mães e tinham desenvolvido melhor comunicação, tornando-se menos manhosas e manipuladoras. Até então pais eram levados a acreditar que, se eles pegassem o bebê a cada choro, a criança nunca iria aprender a consolar-se sozinha, tornando-se mais exigente. O estudo de Bell e Ainsworth mostrou o oposto.

Num outro estudo comparando dois grupos de bebês, um grupo recebeu atendimento imediato e carinhoso e o outro foi deixado chorando. Os bebês cujos choros foram atendidos choravam setenta por cento menos. Os bebês do outro grupo, no entanto, não diminuíram seu choro. Em essência, pesquisas têm mostrado que bebês cujo choro foi atendido aprendem a "chorar melhor"; aqueles que são produto de uma criação mais rígida aprenderam a "chorar mais forte". É interessante que os estudos revelaram não só diferenças da forma como bebês comunicam-se com os pais com base na resposta obtida através do choro, mas também diferenças nas mães. Estudos mostraram que mães que preferem uma resposta mais contida gradualmente se tornaram mais insensíveis aos choros do seu bebê, e tal insensibilidade ultrapassou para outros aspectos da relação mãe-filho. Segundo pesquisas, deixar o bebê chorando é prejudicial à família toda.

7. Chorar não é "bom para os pulmões do bebê".
Esta é uma das frases mais ridículas do folclore médico. Nos anos 70, pesquisas mostraram que bebês que foram deixados chorando sozinhos tiveram batimentos cardíacos muito elevados e níveis de oxigênio diminuídos no sangue. Quando tais bebês eram acalmados, seu sistema cárdio-vascular rapidamente retornava ao normal, mostrando quão rapidamente os bebês reconhecem seu bem-estar num nível fisiológico. Quando o choro não é acalmado, o bebê permanece em desconforto psicológico e fisiológico.

A crença errônea de que o choro é saudável sobrevive ainda hoje nas escalas de Apgar, um tipo de teste que os médicos utilizam para assessar rapidamente a condição de um recém-nascido nos primeiros minutos de vida. Os bebês recebem pontos extras por "chorar muito forte". Um bebê em estado de alerta silencioso, respirando normalmente e com coloração normal perde pontos na escala Apgar em relação a outro que nasce chorando. Um dos mais intrigantes de todos os sons humanos - o choro de um bebê - ainda é muito incompreendido.

Concluindo...
O choro não é somente um som; é um sinal - desenvolvido para a sobrevivência do bebê e o desenvolvimento dos pais. Nos primeiros meses de vida, bebês não conseguem verbalizar suas necessidades. Para preencher este espaço até que a criança seja capaz de falar "a nossa língua", bebês têm esta linguagem única chamada "choro". O bebê tem uma necessidade, como fome ou desejo de ser acalentado e isso desencadeia um som a que chamamos choro. O bebê não fica ponderando "são três da manhã e eu acho que vou acordar a mamãe para um lanchinho." Não ! Isso é a nossa interpretação do choro. Além disso, bebês não têm a acuidade mental para entender o porquê de sua mãe responder ao seu choro às três da tarde, mas não às três da manhã. O recém-nascido que chora diz: "Eu preciso de alguma coisa; algo não está aqui. Por favor, resolva meu problema".

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Cama Compartilhada

Esse assunto é delicado. Fato! Mas como foi a única coisa que dei o braço a torcer, precisava escrever sobre. Já que minha opinião antes do nascimento do Rafael era oposta ao que penso hoje em dia. Sempre achei um absurdo! Pra mim, lugar de criança era no berço e de preferência, em seu próprio quarto. Dizia que nisso eu seria irredutível, era minha opinião e ponto.

Até que nasceu nosso lindo Rafa. E após um mês de milhares de despertares assustados, saindo do quentinho da minha cama, caminhando até o quarto dele, o pegando no berço, dando de mamar e finalmente o fazendo dormir novamente; e o pior, uma gripe fortíssima, eu desisti! Foi um mês mto difícil e cansativo. E quando aderi a cama compartilhada, pude novamente dormir bem e sermos uma família 100% realizada. Hoje penso que lugar de bebê é sim ao lado da mãe, no quentinho, com carinho. Resmungou, mamou! Simples assim.

Mas para isso, a cama compartilhada deve ser feita de forma consciente e segura. Falemos sobre:

Somente nos últimos 150 anos, com o surgimento de casas com vários compartimentos, que começou a se separar os bebês e colocá-los para dormir longe dos seus pais. Durante centenas de anos, as mamães amamentavam seus bebês durante a noite quase sem despertar. Os bebês recebiam proteção, afirmação emocional, lições de como respirar, calor e leite materno.

Benefícios Fisiológicos
1. Os bebês mamam mais sem perturbar o sono da mãe e do bebê, dormindo mais (quase 3 vezes mais) do que aqueles bebês amamentados que dormem sozinhos.
2. Os bebês choram significativamente menos. Teoricamente supõe-se que menos choro é mais energia para se desenvolverem.
3. Maior oportunidade para amamentar se traduz em menos incidência de doenças.
4. Durante as primeiras semanas de vida do bebê, seu ritmo respiratório não é suficiente maduro e é freqüente os casos de apnéias. Se a mãe dorme ao seu lado, ela proporciona ao bebê um padrão de respiração que este pode imitar.
5. A fase profunda do sono é muito menor diminuindo assim o risco da SMS (Síndrome de Morte Súbita). Além disso, o desenvolvimento neuronal ocorre em seu máximo esplendor na fase menos profunda do sono, com a prática da cama compartilhada está se potencializando seu desenvolvimento mental.
6. Pesquisas demonstram que para um bebê, dormir sozinho é muito estressante, por isso que eles choram. Qdo choram, altos níveis de cortisona (hormônios do stress) são liberados. A constante exposição à cortisona na infância, causa danos físicos ao cérebro.

Orientações para uma Cama Compartilhada segura:

- Coloque a criança para dormir deitada de costas

- Coloque a criança ao lado da mãe invés de entre a mãe e o pai

- Utilize uma cama grande e firme e tome precauções para prevenir a queda do bebê da cama

- Não durma com a criança em uma cama d’água ou sofá

- Não coloque uma criança para dormir sozinha em uma cama de adulto

- Não utilize almofadas e roupas de camas fofas

- Não compartilhe a cama com seu bebê sob a influência de drogas, álcool, medicação para resfriado e alergia que não necessitam de receita médica para a compra ou se estiver extremamente privado do seu sono

- Irmãos, irmãs ou babás não devem dormir com a criança


Você optou por compartilhar a cama, a noite toda ou parte dela, com seu bebê? Divida sua experiência

Cesárea não é normal!

Percorrer o caminho natural, do útero até o abraço da mãe, é uma viagem fascinante, saudável, milenar, que cria laços e memórias inesquecíveis.

O Brasil é o campeão mundial em número de cesáreas. Segundo dados do Ministério da Saúde, dos cerca de três milhões de nascimentos que acontecem todos os anos, 80% dos que ocorrem na rede privada são cesáreas. Na rede pública o número é mais baixo, mas ainda continua bem elevado, em 26%. Índices muito acima daqueles recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que vai de 15% a 20% de cesáreas.

Aquilo que é natural e biológico, e que deveria ser simplesmente uma mulher trazer seus filhos ao mundo através do parto normal, não vem acontecendo entre nós. A cesárea, cirurgia inventada na Roma dos césares, daí o nome, foi criada para situações de emergência, quando o bebê não sairia de nenhuma outra maneira de dentro do útero materno a não ser através de uma incisão.

Trata-se de uma das grandes maravilhas da medicina, pois, se ela não existisse, as vidas de mãe e filho estariam em risco. Mas sua indicação deve ser criteriosa e considerada em casos raros. No Brasil, porém, seja por comodidade do médico, da mãe ou de ambos, a cesárea tornou-se uma opção, algo que mães e médicos discutem como se fosse uma possibilidade aberta a todas – e tem virado uma mania. Perigosa, a bem da verdade.

Sabemos que o parto natural não tem hora para acontecer, deixa todo mundo na expectativa, de prontidão a qualquer hora do dia ou da noite, exige paciência e um trabalho árduo até chegar à dilatação e, eventualmente, à expulsão do bebê.

Há casos em que o trabalho de parto dura 24 horas. E é um processo dolorido, como se sabe. Mas nada que não se possa suportar. Já a cesárea, que é uma cirurgia, é feita sob anestesia e com hora marcada. Dor, espera e sofrimento no trabalho de parto passam longe. Mas, se perguntarmos aos nossos obstetras, honestamente, o que é melhor para o bebê, a resposta é uma só: sem dúvida, o parto normal.

Por isso, antes de optar por uma cesariana, seja por comodidade ou por medo de sentir dor, procure buscar informações para conhecer os grandes benefícios que um parto vaginal traz, tanto para a mãe quanto para o bebê. No parto natural, a sensação do corpo funcionando é deliciosa. A dor é o de menos. Estar bem para receber seu bebê, sem precisar ser submetida a cortes profundos e sem, ou com o mínimo possível, de anestesia, faz toda a diferença.

Parto natural é melhor para todo mundo

O parto normal dá à mulher, além da recuperação mais rápida, uma disponibilidade maior para cuidar do bebê, além de aumentar as chances de uma boa amamentação.
De acordo com o dr. Jorge Kuhn, pai de Clara, Renata e Otávio, há outras vantagens: “Durante o trabalho de parto, um coquetel de substâncias é produzido e liberado pelo corpo da mãe e passa para o bebê”.

Entre estas substâncias estão a ocitocina, que estimula as contrações; a prolactina, que será essencial na produção de leite; as beta-endorfinas, que aliviam a dor; e o cortisol, importante no amadurecimento dos pulmões do bebê. Na fase final do parto começa a ser produzida a adrenalina, que dá um ânimo extra à mãe e ao bebê no momento da expulsão.

Para os bebês, além dos benefícios do coquetel citado acima, o principal benefício é que, ao passar pelo canal de parto (a vagina dilatada e pulsante), o bebê é submetido a uma massagem feita naturalmente nos pulmões – que faz com que o líquido amniótico inspirado seja eliminado.

De acordo com o pediatra Yechiel Moises Chencinski, pai de Renato e Danilo, num parto vaginal sem nenhum problema, ou intercorrência, a transição do útero para os braços da mãe é vista como uma linha contínua entre a vida intra e extra-uterina. “O bebê colocado no colo da mãe após o parto reconhece os batimentos cardíacos e a voz materna, sente seu calor, seu cheiro; isso o mantém seguro e mais calmo”, afirma o especialista.

O obstetra Abner Lobão, da Universidade Federal de São Paulo, pai de Artur, comenta que a nomenclatura já mostra a diferença: um parto é natural e fisiológico; a cesárea é uma cirurgia. Há sempre o risco de um parto “agendado” trazer ao mundo um bebê antes da hora. “Numa cesárea, é maior a probabilidade de nascimento de prematuros, com todas as complicações associadas. E mesmo quando dois bebês nascem no tempo certo (cerca de 40 semanas), o do parto normal tem melhor desempenho no berçário do que o nascido de cesárea”.

sábado, 2 de outubro de 2010

Carinho da mãe na infância ajuda na vida adulta

Um estudo indica que pessoas que recebem carinho em abundância de suas mães quando bebês são mais capazes de lidar com as pressões da vida adulta.

A pesquisa, divulgada pela publicação científica Journal of Epidemiology and Community Health, foi feita com 482 moradores do Estado americano de Rhode Island (nordeste do país) que foram avaliados quando crianças e na vida adulta.

Os cientistas disseram que os abraços, beijos e declarações de afeto da mãe aparentemente têm efeito em longo prazo e tendem a gerar um vínculo sólido com o bebê, contribuindo para a saúde emocional das pessoas.

Segundo os pesquisadores, o vínculo sólido entre mãe e bebê não apenas diminui o estresse da criança como também a ajuda a desenvolver recursos que a auxiliarão em suas interações sociais e na vida de maneira geral.

Interação

Como parte do estudo, psicólogos avaliaram a qualidade das interações entre mães e seu bebê de oito meses durante uma consulta de rotina.

O psicólogo analisou quão bem a mãe respondia às emoções e necessidades da criança, atribuindo uma "nota de afeição" à mãe baseada nas características da interação.

Do total de 482 casos, uma em cada dez mães apresentou níveis baixos de afeição em relação ao bebê.

A maioria (85%, ou 409 mães) demonstrou níveis normais de afeição, e 6% (27) mostraram níveis bastante altos.

Trinta anos mais tarde, os pesquisadores entraram em contato com as crianças, agora adultos, e as convidaram a participar de uma pesquisa sobre seu bem-estar e emoções.

Eles preencheram questionários que incluíam perguntas sobre sintomas específicos, como ansiedade e hostilidade, e também sobre níveis gerais de estresse.

Também foi perguntado aos participantes se eles achavam que suas mães tinham lhes dado afeto, com respostas variando entre "concordo enfaticamente" e "discordo enfaticamente".

Ao analisar os dados, os pesquisadores verificaram que as crianças cujas mães se mostraram mais afetuosas aos oito meses de idade apresentavam os menores índices de ansiedade, hostilidade e perturbação geral.

Houve mais de sete pontos de diferença nos índices de ansiedade entre os participantes cujas mães haviam mostrado níveis baixos ou normais de afetividade e aqueles cujas mães mostraram níveis altos de afetividade.

A equipe de pesquisadores concluiu que crianças que receberam grandes doses de afeição das mães se revelaram mais capazes de lidar com todos os tipos de estresse.

Em particular, participantes cujas mães eram calorosas pareceram lidar melhor com a ansiedade do que os que tinham mães frias.

"É surpreendente que uma observação rápida do calor maternal na infância esteja associada com perturbações nos filhos 30 anos mais tarde", disseram os autores do estudo.

A equipe acrescenta, no entanto, que a influência de outros fatores, como personalidade, criação e escolaridade, não pode ser excluída.

Sintonia

Especialistas ressaltam, no entanto, que é importante saber quando parar: o excesso de afeto maternal, especialmente se a criança já está mais crescida, pode ser perturbador e embaraçoso para ela.

A psicóloga e escritora Terri Apter, da faculdade Newnham College, na cidade de Cambridge, na Inglaterra, estudou os efeitos dos relacionamentos entre mãe e criança e disse que é importante para a mãe ser receptiva ao bebê, além de lhe dar afeto.

"Bebês não nasceram sabendo como regular suas emoções. Eles aprendem ao ficar estressados e ser acalmados."

"E uma mãe receptiva vai perceber as pistas e saber quando a criança já recebeu o suficiente".

Ou seja, vai saber não apenas quando dar carinho e quando parar, concluiu Apter.

Muitas mulheres não sabem amamentar

Apesar de tantas campanhas e de ninguém questionar as vantagens, uma em cada quatro mulheres enfrenta dificuldades na hora de amamentar.

O estudo, do Centro de Referência Estadual em Bancos de Leite Humano do Piauí, foi apresentado em um congresso de bancos de leite, que acontece em Brasília.

A pesquisa avaliou 1.800 mulheres que deram à luz entre fevereiro e março deste ano. Delas, 435 -24% do total- apresentaram algum problema no aleitamento, sendo os mais comuns mamas cheias demais, baixa produção de leite, fissura do bico do seio e dificuldade no posicionamento do bebê.

O que justifica o índice, diz a nutricionista Vanessa Paz Lima, coordenadora do levantamento, é a falta de informação sobre os modos corretos de amamentar e de prevenir esses problemas.

"Falta educação", concorda a pediatra e neonatologista Clery Bernardi Gallacci, da Maternidade Santa Joana, em São Paulo. "É preciso dar assistência no pré-natal, no momento do nascimento e depois." A mama cheia, que foi o problema mais recorrente, está diretamente relacionada à falta de informação. Se a mãe não sabe que deve alimentar o bebê periodicamente, o peito enche e o bebê só vai abocanhar o bico, o que pode levar a fissuras.

"O correto é que ele abocanhe toda a região da aréola, que é onde ficam os sacos de leite, e não o bico", explica Danielle Silva, coordenadora de Processamento e Controle de Qualidade do Banco de Leite Humano do Instituto Fernandes Figueira/Fiocruz.

Para isso, a posição correto do bebê é fundamental: a cabeça deve estar recostada na curva do braço da mãe e o corpo alinhado ao dela.
O mau posicionamento também pode até causar fissuras nos mamilos, o que leva a dores nas mamadas.

Nesses casos, recomenda-se que a mãe hidrate o bico do seio com o próprio leite ao final da mamada. "Ele também protege contra infecções", diz Danielle Silva.

FALTA DE APOIO

O segundo problema mais frequente foi a baixa produção, que é evitada dando de mamar com frequência.

"O maior problema é a falta de apoio. Muitos pediatras não sabem orientar direito", acredita Fabíola Cassab, fundadora do grupo Matrice, de apoio à amamentação.

Todas essas orientações, segundo Vanessa Paz Lima, devem ser passadas à mãe logo no pré-natal e devem continuar nos dias seguintes ao nascimento do bebê.

"Se, durante a internação do pós-parto, identificarmos que a mãe apresenta algum problema para amamentar, ela passa a receber uma orientação intensiva e só recebe alta se tiver entendido os procedimentos", afirma.

Segundo ela, o importante é que haja conforto durante o aleitamento: "Qualquer condição que provoque dor pode interferir na amamentação e desestimulá-la".

Danielle Silva completa: "A Organização Mundial da Saúde preconiza seis meses de aleitamento exclusivo. Isso não apenas nutre, como protege contra infecções".


sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Dia Nacional da doação do Leite Materno

1. de outubro é o dia pra vc parar, pensar e doar!

O Dia Nacional de Doação de Leite Materno é uma campanha promovida pelo Ministério da Saúde. A data tem como objetivo destacar a importância da doação de leite e estimular as mulheres a tornarem-se doadoras.

Doar leite é muito mais fácil do que imagina-se, basta boa vontade e potes de vidros com tampas plásticas (possíveis de serem esterelizados). Bombinha elétrica? Claro que não é necessário! Eu mesma consigo só na ordenha manual tirar de 80 a 100ml por vez. Mas como eu disse, tem que ter força de vontade e pensamento focado no bebê.

Mas vou explicar diretinho todo esse processo:

Quem pode ser doadora de leite humano?

Algumas mulheres quando estão amamentando produzem um volume de leite além da necessidade do bebê, o que possibilita que sejam doadoras de um Banco de Leite Humano.

De acordo com a legislação que regulamenta o funcionamento dos Bancos de Leite no Brasil, a doadora além de apresentar excesso de leite, deve ser saudável, não usar medicamentos que impeçam a doação e se dispor a ordenhar e a doar o excedente.

Como doar?

Se você quer doar seu leite entre em contato com um Banco de Leite Humano. Encontre aqui o endereço mais perto de você.

Como preparar o frasco para coletar o leite humano?

- Escolha um frasco de vidro com tampa plástica, pode ser de café solúvel ou maionese;
- Retire o rótulo e o papelão que fica sob a tampa e lave com água e sabão, enxaguando bem;
- Em seguida coloque em uma panela o vidro e a tampa e cubra com água, deixando ferver por 15 minutos (conte o tempo a partir do início da fervura);
- Escorra a água da panela e coloque o frasco e a tampa para secar de boca para baixo em um pano limpo;
- Deixe escorrer a água do frasco e da tampa. Não enxugue;
- Você poderá usar quando estiver seco.

Como se preparar para retirar o leite humano (ordenhar)?

O leite deve ser retirado depois que o bebê mamar ou quando as mamas estiverem muito cheias.

Ao retirar o leite é importante que você siga algumas recomendações que fazem parte da garantia de qualidade do leite humano distribuído aos bebês hospitalizados:

1- Escolha um lugar limpo, tranquilo e longe de animais;
2- Prenda e cubra os cabelos com uma touca ou lenço;
3- Evite conversar durante a retirada do leite ou utilize uma máscara ou fralda cobrindo o nariz e a boca;
4- Lave as mãos e antebraços com água e sabão e seque em uma toalha limpa.

Como retirar o leite humano (ordenhar)?

Comece fazendo massagem suave e circular nas mamas.



Massageie as mamas com as polpas dos dedos

começando na aréola (parte escura da mama) e,

de forma circular, abrangendo toda mama.




É ideal que o leite seja retirado de forma manual:




- Primeiro coloque os dedos polegar e indicador no local onde começa a aréola (parte escura da mama);
- Firme os dedos e empurre para trás em direção ao corpo;
- Comprima suavemente um dedo contra o outro, repetindo esse movimento várias vezes até o leite começar a sair;
- Despreze os primeiros jatos ou gotas e inicie a coleta no frasco.


Se você estiver com dificuldade de retirar seu leite, procure apoio no Banco de Leite Humano mais próximo de você.

Como guardar o leite retirado para doação?

O frasco com o leite retirado deve ser armazenado no congelador ou freezer.
Na próxima vez que for retirar o leite, utilize outro recipiente esterilizado e ao terminar acrescente este leite no frasco que está no freezer ou congelador.
O leite pode ficar armazenado congelado por até 15 dias.
O leite humano doado, após passar por processo que envolve seleção, classificação e pasteurização, é distribuído com qualidade certificada aos bebês internados em unidades neonatais.

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